Amigos

“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. (...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu avesso. (...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. (...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
Oscar Wilde

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vinícius de Moraes

Hoje me peguei lendo Vinícius de Moraes, acabei separando esse texto (ainda não conhecia), que fez com que eu "viajasse" em perguntas sobre a vida e a morte, coisas que pensamos com o nascimento de uma criança e como tentamos entender a perda através da morte... Bom, talvez num outro momento eu possa falar sobre essas questões, por hora deixo o texto:


"Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !"

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Distâncias


A gente passa boa parte da vida tentanto encontrar um lugar onde se encaixar e de repente nos damos conta de que esse lugar não existe e que não é o lugar que faz nossa vida mudar. Podemos morar em grandes cidades onde a rotina, o barulho incessante nas ruas e a pressa de todos os dias abafem os pensamentos e nossa solidão, ou morar num lugar afastado dos grandes centros, pequeno no tamanho e no múmero de habitantes, onde seja impossível disfarçar o que sentimos, pois todos nos conhecem, e mesmo assim podemos estar tristes nas duas situações. Porque um dia você acorda e percebe que o importante não é o lugar que você vê sua vida passar, se de uma cobertura na zona sul ou uma choupana no interior, mas com quem você vê sua vida passar. E quando você abre os olhos para essa condição, vê também que o tempo passou e já é tarde, e aí você entende que as pessoas mudam juntas, e quando não mudam se tornam invisíveis umas as outras e, que voltar no tempo não trará a você as pessoas que faziam parte do seu mundo, e nem os momentos vividos. Então seguimos nosso caminho pensando que se talvez tivéssemos tentado voltar atrás em determinada circunstância, quando as distâncias ainda eram curtas, talvez teriamos chegado a tempo de corrigir as coisas erradas, preencher os momentos de vazio, mas você se dá conta mais uma vez que daqui pra frente as distâncias estão muito maiores do que daqui para trás. E o que você faz então? Senta e chora? Infelizmente não tem mapa que te ajude nessa situação.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Apagão



No início pensei que pudesse ser a luz que cortaram por falta de pagamento, mas depois de alguns minutos percebi que o prédio inteiro estava na escuridão (Será que os condôminos se rebelaram e resolveram fazer greve contra a companhia de energia elétrica?). Fato é que por quase duas horas ficamos sem luz, sorte que ainda tinha bateria o suficiente no not para assistir um filme, bom, não tão suficiente porque acabou pouco depois da metade do filme (mas já assisti esse filme umas quatro vezes, então sei exatamente como termina). O que fazer agora, sem luz, sem bateria? Vou lavar a louça, pois a pia está cheia, acho que tem um “toco” de vela em algum lugar dessa casa, pior que é na área de serviço, “e ta tão escuro!!”. Vou fechar os olhos, se bem que não vai fazer diferença, não enxergo um palmo na minha frente mesmo. “Toco de vela” acesa e louça limpa, que fome, jantar a luz de velas tudo bem, mas cozinhar no escuro ninguém merece, terei que me contentar com um sanduíche apenas. E as 00:05 faça-se luz! Agora posso voltar ao trabalho. Por pouco tempo, deve ser algum “complô”, ou uma tremenda falta de sorte, dez minutos e lá se vai a luz novamente, ahhhhh que vontade de gritar! Pelo menos dessa vez foi por no máximo quinze minutos, meu trabalho está salvo, meu filme e minha conversa também, agora acho que é sorte. Espero que não falte mais luz por hoje.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pessoas

Os dias passam, as noites passam e as pessoas muitas vezes também passam, e nós buscando por desculpas para justificar nossas atitudes frente ao afastamento uns dos outros. A correria do dia a dia, tô trabalhando direto, ele não me entende, estou sem tempo, ela não sabe quem sou, e assim por diante. O tempo passa e um dia você acorda e percebe que aquela pessoa já não está mais lá, por algum motivo se afastou. Seria por vontade própria e temporariamente ou sem querer e para sempre? Sem respostas mais uma vez. Aí você se dá conta de que a memória as vezes é injusta, pois você começa a reviver situações e momentos compartilhados com quem te deixou, momentos que um dia te trouxeram alegrias e hoje te impedem de sorrir. Isso acontece e não é que não percebemos, lá no fundo não queremos perceber, porque somos os senhores das desculpas, do "deixa pra depois" e a vida vai seguindo e quem realmente ficou para trás foi você. E mais uma vez a gente descobre que o mais importante nas nossas vidas são as pessoas que moram no nosso coração. E mesmo assim acabamos colocando nossos valores em objetos. Quando iremos aprender, ou melhor, quando iremos admitir que sabemos disso? E que sabemos que não somos objetos que podem ser tirados dos seus lugares, usados e colocados novamente no esquecimento apenas para juntar poeira?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Depois do calor, a chuva.



Depois de uma semana de sol e calor intenso, e com a previsão da meteorologia indicando chuva forte sujeita a pedras de granizo para a segunda-feira, pensei: mais uma previsão errada. Então tá né, preciso acordar bem cedo para molhar as plantas. E como faço sempre antes de dormir, liguei a televisão e esperei o sono chegar, assistindo um filme, um telejornal ou alguma coisa mais interessante. Por pouco tempo, pois logo vi na minha janela uma claridade seguida do estrondo de um relâmpago, de repente, ouço outro som, mas agora é o da chuva que cai e do vento empurrando a janela e o "cheiro de chuva" invadindo o meu quarto. Não resisti e às 00:49 da madrugada abro a janela para olhar a chuva e respirar o ar da noite que fica muito mais agradável quando tem a terra molhada por conta da chuva que cai. Alguns minutos em silêncio admirando a noite (e a chuva) e agora posso dormir, de certa forma "animada/excitada/ energizada"... E hoje vou quebrar a minha rotina de sono: televisão desligada e apenas o barulho da chuva, e durma com um barulho desses!!! Eu durmo e gosto muito.

(ahhh!! e a meteorologia errou em apenas uma hora)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Buscando por respostas...

"Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a VIDA e muda todas as perguntas." (Luís Fernando Verissimo)


Comecei a escrever este post no início de fevereiro e não entendi porque não pude continuar, pois tinha tanta coisa passando na minha cabeça naquele momento... Mudanças, promessas, planos, muitos preparativos e isso tudo toma muito tempo. Apenas a mera idealização desse amontoado de coisas já tira umas horas de sono, imagina por tudo isso em prática, tendo ainda o cansaço físico e o desgaste mental que buscam todos os dias por alternativas e soluções que possam solidificar um "propósito", além da ansiedade que me acompanha desde o final do ano passado, ansiedade por uma viagem que hoje posso dizer que não vai acontecer. Me pergunto se é justo acreditar tão fielmente (ou melhor, cegamente) nos nossos sonhos, e se entregar de corpo e alma a eles, sinceramente hoje não sei a resposta, nem se existem respostas para todas as perguntas. Eu sei é que tô de "saco cheio", cansada de ser questionada e de dar atenção a esses questionamentos, me dei conta de que todas as pessoas a nossa volta só sabem fazer isso, nos questionar sem interesse algum nas nossas respostas. E será sempre assim, encontraremos pelo caminho novos questionadores desinteressados que irão nos decepcionar, e teremos de aprender que não se pode confiar em todos que chegam sorrindo, e que todos esses questionadores um dia nem mais lembranças serão...

domingo, 18 de abril de 2010

SURPRESAS...



" Quando se tem sete anos adoramos ser surpreendidos com um presente no dia em que não é nosso aniversário. Todos os dias por volta das sete da noite esperamos nosso pai voltar do trabalho e, na porta de casa, antes do abraço, queremos ser surpreendidos com balas ou doces retirados dos seus bolsos. Ao entrar na escola, por volta dos sete anos, sentimos a distância e ausência de nossa mãe e temos medo de nos deparar com coisas ruins, mas normalmente nos surpreendemos com a rapidez que vamos cultivando novos amigos. Nesses mesmos sete anos ainda somos egocêntricos, achamos ser o centro das atenções, e na proporção que vamos crescendo e convivendo começamos a ser surpreendidos por declarações de amizade e afeto. Aos finais de todos os anos esperamos que papai Noel nos faça uma surpresa, deixando os presentes embaixo da árvore de natal. Assim como queremos ser surpreendidos pelo coelho da páscoa, fadas e gnomos... E é assim que vamos crescendo, explorando nossa imaginação, inventando histórias a partir das nossas fantasias e transformando sonhos em surpresas.
Sete dias, sete meses, sete anos... Crescemos!
E assim como os sonhos nos acompanham por toda uma vida, nos levando para lugares distantes, as surpresas também, mas não mais com a mesma intensidade de quando éramos criança...
Aos trinta e um anos não acredito mais em papai Noel, mas ainda gostaria de sentir a emoção da surpresa, igual aquela experimentada aos sete anos... "

Esse texto foi escrito no dia 27/junho/2009 – 03h55min., ainda lembro os pensamentos que fizeram com que eu o escrevesse...